Qualquer tentativa de definir Educação, conquanto seja um exercício nobre e necessário, termina sempre por limitá-la a uma esfera parcial da sua totalidade. Assim, as melhores definições são sempre uma espécie de orientação ética que, ao invés de definir a integralidade de sua abrangência, auxilia-nos mais ao estabelecer um foco mais claro daquilo que não deve ser seu objeto. Isto é muito importante e extremamente útil, oferece-nos um norte referencial para navegarmos em suas águas profundas, mas jamais tranquilas.

Confinar Educação em uma definição única, por mais lúcida e abrangente que alcance ser, será sempre estabelecer uma fronteira para uma atividade que pressupõe expandir fronteiras e eliminar “alfândegas”.

Façamos um bom e consciente uso das características norteadoras das definições dos nobres educadores que nos precederam, mas emprestemos a elas a característica dinâmica e evolutiva que lhes confira o valor inestimável e perene dos clássicos, associada ao frescor e exuberância da “pós-modernidade” de cada momento “contemporâneo”.

Educação será sempre aqui e agora, não o que foi ou poderá ainda vir a ser, embora ambas as abordagens e reflexões ocupem a mente de todos nós educadores. Como defini-la dinamicamente no âmbito em que estamos inscritos e circunscritos? O que é possível fazer agora com os recursos humanos e técnico/tecnológicos disponíveis?

Claro que ela não se restringe ao simples intercâmbio e transmissão de informações. Evidente que não se trata apenas do estímulo à formação de senso crítico. Para nós educadores o mundo não é feito apenas de “por quês”, mas também de “para quês”, “comos”, “quandos”, etc.

Para ser inclusiva, em todos os sentidos, a Educação não pode ficar restrita a um único modelo no qual tentamos encaixar a realidade, mas avançará muito ao percebermos que cada modelo nos ajuda a interpretar um dos múltiplos aspectos de uma realidade plural e dinâmica e demanda múltiplas abordagens.

Acredito em professores que façam a si mesmos livres de convencionalismos ou paixões cegas por teorias e métodos. Àqueles que assim agiram em todas as épocas e nas mais diferentes áreas, a humanidade denominou “mestres” – em espanhol, “maestro”.

Unindo estas duas palavras/conceito – mestre e maestro – na nossa língua portuguesa, obtemos uma linda imagem do papel de cada um de nós professores.

Sermos suficientemente livres de preconceitos (conceitos precoces), paixões cegas por teorias e métodos (embora nos valendo de suas contribuições), aprendendo à medida que ensinamos e ensinando à medida que aprendemos com os “músicos” da orquestra que “regemos”. Somos parte do resultado da música, fornecemos-lhe certo “colorido”, mas respeitando o intérprete da melodia, em todas as suas nuances, apreciando neles os alunos, a Educação que se faz “audível”.

Interferir na medida certa é o toque do mestre que, com carinho direciona, mas não condiciona seus alunos.

Amemos a Educação, porque mesmo incapazes de defini-la em toda a sua transcendência, experimentamos na pele e na alma os efeitos objetivos da sua arquitetura sobre a pedra bruta de nossas biografias, que toma forma a cada novo toque do cinzel do saber.

Com imenso amor a você, colega professor (a).


Colunista: Carlos Hilsdorf

  • Carlos Hilsdorf
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Carlos Hilsdorf
Colunista

Escreve sobre Comportamento e Negócios. Alguns temas: Motivação, Liderança, Administração, Marketing, Vendas, Inovação, etc.

É economista, pós graduado em Marketing pela FGV, consultor de empresas e profundo pesquisador do Comportamento Humano.

Autor dos bestsellers “Atitudes Vencedoras”, ” Atitudes Empreendedoras”, “51 Atitudes para Vencer na Vida e na Carreira” e “Revolucione seus Negócios”.

Considerado pelo mercado empresarial um dos 10 melhores palestrantes do Brasil na atualidade.

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