Isso pode soar esquisito, se você não tem filhos. Mas é para você mesmo! Essa pergunta é para uma criança há muito tempo esquecida dentro de nós. E por que é que temos que falar dela, voltar nesse assunto? Porque isso define, em grande parte, como nos relacionamos com as crianças ao nosso redor. Boa parte do que dizemos aos nossos filhos, alunos, filhos dos vizinhos, sobrinhos, tem a ver com o que a nossa criança interna viveu.

Tá, mas até aí… Qual a novidade? A novidade é que você tem percebido que muitas vezes temos reações que não gostaríamos de ter, mas não conseguimos controlar? Ou que tem algo que não tem funcionado muito bem na sua relação com as crianças? Muitas vezes, sabemos de toda a “teoria”, mas na hora da prática tudo fica diferente. Não que exista uma receita de bolo para cuidarmos de crianças, mas tem atitudes que tomamos e nem sabemos o motivo. Aí é que está! O motivo é: a forma como você foi tratado na infância ficou tão registrada dentro de você que ao ver uma criança, algumas respostas automáticas aparecem. E elas nem sempre são positivas.

O problema é que, muitas vezes, essas atitudes surgem em oposição ao que vivemos. Por exemplo, muitas pessoas tiveram uma infância distante dos pais, que trabalhavam muito e nunca tinham tempo para eles. Muitas vezes, essas pessoas crescem pensando: “Vou fazer o contrário, sofri na infância com a distância dos meus pais, vou ser muito próximo do meu filho”.  Ótimo! É muito bom que possamos nos aproximar dos nossos filhos, ou sobrinhos, ou alunos. A questão é: você está se aproximando, pois isso é bom para a criança ou para você? Ou seja, se para aquela criança essa proximidade for excessiva, você vai conseguir perceber ou ficará magoado e não aceitará isso? Ser próximo das crianças é algo muito benéfico para seu desenvolvimento afetivo e relacional, contudo, é importante que os papéis estejam claros e que possamos ser próximos, mas também continuar sendo o adulto da relação: aquele que põe limite, protege, cuida.

O que acontece é que muitas vezes aquilo que faltou em nossa infância, carregamos de um jeito diferente para nossas relações atuais, principalmente com o que queremos para nossos filhos e alunos, por exemplo. Claro que é muito bom que você queira melhorar aquilo que recebeu, mas entendendo que cada um tem uma necessidade e que a sua necessidade na infância pode ser diferente da necessidade da criança com a qual você convive hoje.

Do que é que sua criança precisou na infância? Por que não dar isso a ela hoje?

Carolina Braga agora tem um novo canal no Youtube com dicas para pais e professores. É só conferir: Desenvolvimento Saudável por Carolina Braga > https://www.youtube.com/watch?v=-ROBIGmy5mk


Colunista: Carolina Magro de Santana Braga

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Carolina Magro de Santana Braga
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Psicóloga CRP 06/118735 / Área de atuação: Neuropsicologia e Educação. Graduada pela USP e apaixonada pela Educação. Especializando em Neuropsicologia e palestrante sobre desenvolvimento infantil para pais, educadores e profissionais da saúde. Realiza atendimento clínico com crianças e adolescentes e orientação de pais. Atua em Transtornos do Neurodesenvolvimento, como Autismo, Dislexia, TDAH.
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psi.carolinabraga@gmail.com
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