Os celulares chegaram à nossa vida para ficar, devagarinho foram se incorporando aos nossos estilos de vida. Este fato é uma das maiores constatações do nosso tempo. Mudaram a vida do ser humano drasticamente em diversos aspectos. No entanto, em muitas situações a sua presença não é bem vinda, é tolerada, mas sob olhares desconfiados. É o que acontece em igrejas, cinemas e escolas, onde este equipamento pode atrapalhar a concentração dos fiéis, espectadores e estudantes. Em outros locais públicos, onde seu uso é liberado, ele é acusado de ser responsável por uma importante mudança comportamental: muitas pessoas preferem se render aos aplicativos instalados e seus celulares do que ao relacionamento com as demais pessoas presentes.

Esta irresistível atração exercida por estes aparelhos aliada à comunicação instantânea e as redes sociais tornou-se uma grande preocupação nas escolas, onde encabeça as listas de motivo de estresse entre os professores preocupados em fazer com que seus ensinamentos atinjam seus alunos. Seu uso em sala de aula chega, em alguns casos a ser proibido por lei. Uma das principais reclamações dos professores é a batalha desleal que têm que travar contra estes aparelhos recheados de aplicativos, games e músicas. O policiamento do uso em sala de aula desvia esforços do professor que deveriam estar plenamente voltados para o aprendizado dos alunos. Pais e professores declaram que já usaram todas as “armas” de que dispunham no combate a este “mal”, já que independente da estratégia usada para a proibição, ela acaba sendo burlada.

Apesar de serem encontrados em todos os ambientes, a presença dos celulares em nossas vidas ainda é muito recente e, em muitos setores seu papel positivo ou negativo ainda não foi devidamente estabelecido. Independentemente disso, seu status de produto de “primeira necessidade” é confirmado pela rapidez com que os stands onde estes equipamentos são oferecidos nas lojas passaram a receber um tratamento diferenciado, ocupando sempre lugar de destaque quando comparado com outros produtos. Em documento intitulado “Diretrizes de políticas para a aprendizagem móvel”, ” de 2013, a Unesco levanta a bandeira da defesa do uso do celular em sala de aula e fora dela, como recurso para alavancar o aprendizado dos estudantes. Este  posicionamento é defendido com base em pesquisas realizadas pelo órgão em vários lugares do planeta. Ainda de acordo com o documento, o uso desta tecnologia pelos estudantes apresentaria diversas vantagens, entre elas o estabelecimento de um elo de ligação entre a educação formal e a informal, possibilitaria o estudo  a qualquer hora e lugar e a diminuição das interrupções das aulas pelo seu uso indevido. A leitura deste documento me levou a pensar de forma mais aprofundada sobre o assunto, já que sendo professor, sou diretamente afetado por ele.

“Concordo com a forma de pensar da Professora Maria Elizabeth, pois o uso dos celulares em sala de aula como recurso pedagógico terá obrigatoriamente de ser aprovado pelos professores para que possa efetivamente ser implantado, não pode vir por imposição. É necessário que primeiro cada professor possa sentir o impacto da tecnologia em sua vida pessoal para que a ideia de que esta possa ser incorporada à sua prática ocorra sem restrições, ou seja, para que os alunos possam sentir a tecnologia como parte integrante do processo de aprender, e não como mais uma disciplina desmembrada das outras”

Em uma pesquisa informal que realizei via internet e em conversas com professores e também com pessoas que atuam fora do circulo educativo, facilmente pude constatar que a ligação telefônica tradicional não é nem de longe a principal utilização do telefone celular em nossos dias. A troca de mensagens instantâneas, as fotografias, os games e o acesso às redes sociais são as principais respostas. Para qualquer direção que olhemos, encontraremos pessoas utilizando este equipamento de diversas formas, inclusive a de realizar ligações. Eu mesmo já havia me rendido à praticidade destes equipamentos anos atrás, quando escrevi minha dissertação de mestrado em educação quase que exclusivamente em um palm, pois assim podia utilizar cada momento livre para avançar na tarefa, estivesse onde estivesse. Atualmente uso um editor de notas instalado em um tablet para criar, editar e postar conteúdo de Química para meus alunos do ensino médio. Apesar de ser um projeto modesto, acredito ser importante manter esses canal de comunicação. O fascínio que este aparelho extremamente versátil exerce sobre nós é realmente surpreendente, desde crianças até idosos, todos se rendem a ele. Se este equipamento mudou a vida das pessoas em tantos aspectos, por que não pode também melhorar as condições de aprendizado de nossos estudantes?

Na primeira pesquisa que efetuei na loja de aplicativos para o sistema operacional de meu telefone, dei de cara com um visualizador chamado Moléculas, assinado por Eduardo Galembeck. São 270 moléculas que podem ser visualizadas em 3D pelo usuário. Em poucos minutos imaginei situações de sala de aula onde o uso do aplicativo melhoraria sobremaneira as possibilidades de aprendizado dos meus alunos. Aquele único aplicativo pesquisado já havia mudado a minha forma de pensar a respeito da proibição do uso do aparelho celular pelos alunos em sala de aula. A possibilidade de trabalhar com fotografia, filmagem e intercâmbio de mensagens entre os alunos em um tipo de trabalho onde o aprendizado continua após encerramento do período convencional de aulas através da troca de informação entre os próprios estudantes me deixou ainda mais animado.

Ainda utilizando unicamente meu aparelho telefônico, saí em busca de informações sobre o assunto que fossem mais relacionadas com a realidade brasileira. Encontrei uma entrevista realizada pela revista Gestão Escolar com a professora Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, do Programa de Pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC. Esta docente defende a inserção das diferentes tecnologias digitais na rotina das escolas e dos estudantes pois estes já chegam com o pensamento estruturado para elas. Ainda segundo a pesquisadora, o uso destas tecnologias também ajuda na aproximação entre as gerações dos participantes do processo educativo. Sobre especificamente os telefones celulares, ela salienta que devem ser incorporados a dia a dia das escolas devido aos inúmeros recursos que oferecem sem qualquer custo para as escolas. Em relação à formação do professor, ela pensa que primeiro ele deve usar o tecnologia para si próprio e só depois pensar em formas de incorporá-la à sua prática pedagógica e que os programas de formação devem seguir nesta direção.

Concordo com a forma de pensar da Professora Maria Elizabeth, pois o uso dos celulares em sala de aula como recurso pedagógico terá obrigatoriamente de ser aprovado pelos professores para que possa efetivamente ser implantado, não pode vir por imposição. É necessário que primeiro cada professor possa sentir o impacto da tecnologia em sua vida pessoal para que a ideia de que esta possa ser incorporada à sua prática ocorra sem restrições, ou seja, para que os alunos possam sentir a tecnologia como parte integrante do processo de aprender, e não como mais uma disciplina desmembrada das outras. Mas, além disso, acredito que todos temos uma lição de casa a realizar, que é buscar um uso mais racional para nossos aparelhos celulares, que fuja da área do entretenimento inócuo. Só assim podemos semear uma cultura que veja estes aparelhos com um novo olhar:  aquele que permita que as portas das escolas e das salas de aula sejam abertas a esta tecnologia que pode contribuir para a implantação de novas e inusitadas formas de aprender.

Saiba mais:
A tecnologia precisa estar na sala de aula, Revista Gestão Escolar, edição 233, junho/julho-2010.
Diretrizes de políticas para a aprendizagem móvel – Unesco/2013.

Ellen Cristina Masalskas celular em sala de aula permitir ou não permitir Celular em sala de aula: inimigo ou aliado? luizclaudio
Autor da Matéria | Colaborador
Luiz Cláudio Novaes da Silva
Bacharel e licenciado em Química pela Universidade Estadual de Londrina
– Mestre em Química pela Universidade Estadual de São Carlos
– Mestre em Educação pela Instituição Moura Lacerda
Professor de Química nas escolas de E.M. Lacordaire Sant’Anna e Otoniel Mota de Rib. Preto
Site Próprio
celular em sala de aula permitir ou não permitir Celular em sala de aula: inimigo ou aliado? email

SEJA UM COLUNISTA
SEJA UM COLABORADOR
CONHEÇA NOSSO TIME

[td_slide category_id=”15″ hide_title=”hide_title” limit=”5″]
[td_block1 hide_title=”hide_title” limit=”5″]
Compartilhar
Próximo artigoMúsica: Lazer ou terapia?

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here