Crise, balbúrdia, desesperança e principalmente a crítica pela crítica. Todos os dias acordamos com a impressão de que “desse jeito não dá”.
Há pouco tempo atrás, quando alguém me cumprimentando perguntou “como vai?”, respondi “tudo ótimo!” e acabei me espantando com o espanto que minha resposta ocasionou. A pessoa me questionou se eu vivia em outro planeta ou estava alienado, somente porque não compactuei com sua expectativa derrotista.
Parece que o certo diante de todos esses problemas, consiste em se comportar como indignado e reclamão. Reclamar da vida anda virando até assunto de festa.

“…Um dia ouvi dizer que “a única coisa que quanto mais se divide, mais se multiplica é desgraça”, e infelizmente parece que isso tem se tornado lugar comum em nossas conversas. Tudo aquilo que incomoda é efusivamente debatido em rodinhas sociais bem como, direta ou indiretamente transmitido de forma indiscriminada para os filhos…”

Pessoalmente acredito ser importante assumirmos nossa indignação com relação a tudo que nos atormenta, porém ela só tem sentido quando nos leva a lutar objetivamente e serenamente por uma transformação do meio ou fato que nos incomoda.
Quando me deparo com a apatia e as incertezas de crianças e adolescentes de nosso tempo, me questiono o quanto esse processo não é resultante direto da atual “atitude adulta” de se culpar o mundo por tudo que acontece de ruim.
Adultos, e muito especialmente os pais, precisam observar e estar sempre atentos ao quanto são referência de felicidade ou infelicidade.
Esses fatos me remetem a um passado bastante recente, em que as atitudes paternas se caracterizavam por isolar, e porque não dizer proteger seus filhos, dos chamados “problemas de adultos”, pois em muitas oportunidades nem mesmos eles eram capazes de compreender o que estava acontecendo.
Lembro-me também, que quando criança, diziam que éramos o futuro da nação. Hoje sei que essa expressão tinha um enorme interesse político, mas como era bom acreditar que os adultos depositavam suas esperanças em nós.
Acreditar que teríamos nobres propósitos para lutar.

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Devíamos crescer, sempre buscando fazer o melhor possível.
Infelizmente o que observamos nos dias de hoje, com raras exceções, são pais, que por receio da fragilidade dos modelos e educação que deram, constantemente orientam seus filhos a se esquivarem da vida atrás de preconceitos, o que em outras palavras significa estarem sempre alertas e armados, mesmo que desnecessariamente contra toda e qualquer novidade.
Um dia ouvi dizer que “a única coisa que quanto mais se divide, mais se multiplica é desgraça”, e infelizmente parece que isso tem se tornado lugar comum em nossas conversas.

Tudo aquilo que incomoda é efusivamente debatido em rodinhas sociais bem como, direta ou indiretamente transmitido de forma indiscriminada para os filhos, que com certeza deveriam estar entretidos em projetos mais construtivos.
Você pode achar loucura, mas por que não voltarmos a dividir as experiências, mesmo que agridoces, valores morais e as esperanças que por mais que neguemos, ainda temos, já que somos humanos?
Pais. Caros colegas. Proponho que revertamos o presente.
Que tal assumirmos a proposta cristã de sermos “o sal da terra e a luz do mundo”, o que significa utilizarmos nossas histórias, sonhos e mesmo fracassos, como tempero que viabilize os saberes e os sabores de nossos filhos.
Crianças são seres que nascem cheios de dignidade. Porque não aprendermos e compartilharmos com elas, essa competência que certamente dorme dentro de cada um de nós.
Pais corajosos são aqueles que fortalecem as raízes de seus filhos, que então se tornarão defensores e lutadores de tudo aquilo que vierem a crer.
Não se subestimem.
O futuro do país passa pelas mãos,exemplos e palavras dos pais.


Matéria por: Guilherme Davoli

  • Guilherme Davoli
    Guilherme Davoli
    Colunista
Guilherme Davoli
Colunista

Psicólogo atuante como psicoterapeuta, professor de psicologia, consultor empresarial e educacional. Autor dos livros:
“Admirando a tempestade e brincando com o vento”
“Vítimas e aprendizes da própria história”
“Somos mais que um simples espetáculo” “Colecionadores de histórias”
Articulista das revistas: “Evidência”, “Profissão Mestre”, “Conectado”, “Ultimato online”, SME-Sistema Mackenzie de Ensino” e do jornal “The Brasilians” (New York). Palestras, cursos e oficinas em empresas, órgãos públicos e instituições de ensino, desenvolvendo temas pertinentes à educação, relacionamento interpessoal e qualidade de vida.

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