Quando meu primeiro filho nasceu, eu achei que iria literalmente morrer de sono! Até o quinto ou sexto mês, não me lembro ao certo; não houve uma noite completa de sono.  Já com o segundo filho, as coisas caminharam mais facilmente. Não atribuo isto ao meu comportamento ou ao de meu marido; mas simplesmente ao fato de que o segundo bebê parecia ter mais facilidade para dormir do que o primeiro.

Notamos que desde muito cedo ele possuía um ritmo biológico bem mais organizado. Com o primeiro filho tentamos seguir ao máximo uma rotina para facilitar e orientar seu ritmo biológico, mas tudo era muito mais difícil aliado claro, ao fato de ser a nossa primeira experiência como pais. Mas certa vez, ouvi um comentário sobre a glândula suprarrenal da criança não estar “amadurecida” ainda, e que isso poderia influenciar bastante em seu sono.

Por isso resolvi procurar artigos científicos que explicassem melhor a relação da glândula suprarrenal com tudo isso. Meus filhos já dormem a noite inteira, mas solidarizei-me com inúmeras postagens de mães que participam de grupos de apoio e discussões em redes sociais e que passam por esta dificuldade.

Fiquei fascinada pelo assunto e ao estudá-lo tomei conhecimento de que os corticóides e os hormônios produzidos nas suprarrenais são substâncias altamente relacionadas com estresse, emoções e com o desenvolvimento infantil. O ciclo circadiano (dia e noite) está diretamente relacionado com os níveis de cortisol e exercem efeitos importantes sobre o metabolismo . Na verdade a avaliação da glândula suprarrenal implica na avaliação muito mais complexa do Eixo Hipotálamo-Hipofásico-Suprarrenal, um dos sistemas neuroendrócrinos mais importantes para a resposta fisiológica ao estresse.

Em um interessante e bem completo artigo sobre este assunto, encontrei a seguinte explicação: ” Na formação (boa ou não) da personalidade, os primeiros meses de vida são de importância vital, principalmente quando consideramos a formação do temperamento e a qualidade do apego. A psiquiatria biológica desenvolve interessantes trabalhos que relacionam o desenvolvimento do temperamento com a função do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, que é o principal representante biológico dos mecanismos de adaptação. Há artigos científicos que relatam a relação e importância do Eixo Hipotálamo-Hipofisário-Suprarrenal na atividade infantil. E mais interessante ainda é um estudo sobre  A Teoria do Apego (John Bowlby) que vai revelar claramente que o temperamento da mãe pode elevar os níveis de cortisol nos bebês, o que altera o seu comportamento!

Obviamente estou sendo bem simplista na tentativa de resumir ao máximo as informações. Por isso, pretendo transmitir o desejo de irem mais à fundo no assunto fascinante do mundo biológico aliado ás questões psicossociais. Bom estudo, e uma boa noite de sono!


Colunista: Patricia Rachel Pisani Manzoli

  • Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Atuação: Educação, Sociologia e Antropologia, Pedagogia, Serviço Social.
Patricia Manzoli é Cientista Social (UNESP – Araraquara), Mestre em Serviço Social (UNESP – Franca). Pesquisa: Responsabilidade Social: um estudo sobre o compromisso ético e cidadão do empresariado brasileiro com a educação. MBA em Elaboração, Análise e Avaliação de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) – Pesquisa: Gestão da Qualidade em Projetos Educacionais de Responsabilidade Social. Docente Universitária da Estácio -Uniseb. Sócia e coordenadora educacional do Colégio Monteiro Lobato de Ribeirão Preto. Autora de material didático na área de Ciências Sociais direcionada para Ensino Fundamental II. Palestrante da área educacional.
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