Parecia só um joguinho, mas Baleia Azul não era: provocou o suicídio de jovens em vários países. Da mesma forma que a série da Netflix, 13 Reasons Why, não é entretenimento. No Canadá sua exibição em escolas foi proibida. A Nova Zelândia o definiu como impróprio para menores de 18. Fatos que parecem ter decretado o fim da lua de mel entre família e web. A duras penas, os pais estão se conscientizando de que pré-adolescentes e adolescentes não são adultos, e, portanto, não agem como tal. São seduzidos por tudo que represente aventura, novidade, risco. No caso, não se trata simplesmente de proibir isto ou aquilo, mas de os pais saberem que, quanto mais cedo na web, maior o perigo.

E pensar que, às vezes, os próprios pais assumem este risco, levados pelo “só eu que não tenho” que os filhos utilizam com sucesso em pais ávidos por fazê-los felizes. Porque felicidade, para quem se deixa levar pelos conceitos da sociedade de consumo, é ter tudo que os outros têm. Por isso fazem falsos perfis no Facebook, por exemplo, driblando a idade mínima de entrada (13 anos), e expondo seus rebentos desnecessariamente. Sem falar no péssimo exemplo que dão ao mostrar, na prática, que é válido burlar regras.

E pensar que são esses mesmos pais que se desesperam frente à Baleia Azul, o desafio sádico que leva à automutilação e ao suicídio! A notícia explodiu como uma bomba pelo mundo. São 50 desafios que culminam com o derradeiro: Dar cabo à própria vida! A adesão inicial é espontânea: chega por e-mail, WhatsApp ou outro aplicativo, mas as tarefas vão gradativamente se tornando loucuras. Para evitar que a vítima desembarque da insanidade, os “tutores” se utilizam de ameaças a familiares, usando dados que colhem na própria web. As notícias trágicas sobre o “jogo” se deram à mesma época em que o citado seriado começou a ser exibido. Nele, a protagonista de 16 anos se suicida, vítima de cyberbullying.

O que fazer? Jogar fora o celular, cortar a web?  Não. O que se faz urgente é os pais acreditarem que jovens são facilmente cooptáveis por espertos; e que não se trata de proibir o uso do computador, e sim de adiar o acesso às redes sociais, se possível até o final da pré-adolescência. É essencial ensiná-los a usar a web de forma razoavelmente segura – antes que comecem a usá-la. E estar ciente de que segurança total não se terá jamais, na web como na vida. Por isso, antes de permitir, explicite as regras de uso e supervisione! Outros perigos virão – e só sabendo usar se escapa das armadilhas. No momento, as regras das redes sociais favorecem a família: portanto, nada de pressa ou “jeitinho”! Tevê e computadores vêm com filtros – utilize-os! E certifique-se de que seu filho compreendeu que, se os limites forem ignorados, a sanção será suspender o uso, enquanto for necessário.

Ah! Não se esqueça de anunciar o lado positivo dos limites: Sabendo usar, não vai faltar!

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Tânia Zaguri é Filósofa, Escritora e membro da ACL.  


Colunista: Tania Zagury

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Tania Zagury
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Filosofa, Escritora, Membro da Academia Carioca de Letras.
-Professora Adjunta da UFRJ / Universidade Federal do Rio de Janeiro/ De 1977 a 2000.
-Coordenadora dos Cursos de Graduação em Supervisão Escolar, Administração Escolar e Orientação Educacional da Faculdade de Educação, da UFRJ. De 1987 a 1992.
-Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro / UFRJ
-Filósofa, graduada na Universidade Estadual do Rio de Janeiro / UERJ-Escritora com 25 livros publicados no Brasil e no exterior
-Conferencista e Pesquisadora em Educação
Mais de 1850 entrevistas concedidas para televisão, jornais e revistas de circulação nacional, dentre os quais: Veja (Entrevistada das Páginas Amarelas, entre dezenas de outras), Nova Escola (Entrevista nas Páginas Verdes), Isto é (Entrevistada das Páginas Vermelhas, entre outras), Época, Folha de SP, Estadão, Zero Hora, O Globo, Correio Brasiliense, Jornal do Brasil, Diário de Natal, Estado de Minas, Jornal Nacional, Globo Repórter, Programa do Jô (quatro vezes) Mais Você, Sem Censura (cinco vezes), Marília Gabriela Entrevista, Fantástico, Globonews, Almanaque etc.

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