Nas construções de edifícios, o andaime subsidia todos os profissionais que trabalham em seu levantamento (base, colunas, vigas, lajes, paredes…), como também nas atividades de seu acabamento (reboco, emassamento, pintura…).

À medida que o edifício vai crescendo ou se aproximando do período de acabamento, os andaimes são recursos fundamentais que vão dando suporte aos profissionais que atuam em sua construção.

Tenho pensado que, metaforicamente, poderíamos dizer que a avaliação supre o gestor de informações, que são recursos para a montagem do “andaime” que dá suporte à execução do seu projeto de construção; no caso da atividade educativa escolar, a avaliação subsidia o investimento no ensino, que, por sua vez, subsidia a efetiva aprendizagem por parte dos estudantes.

Por gestor, aqui, estou compreendendo todo aquele ou aquela que age para produzir (gestar) os resultados desejados. Nesse caso, o professor em sala de sula é seu gestor e a avaliação lhe subsidia dados que lhe permitem tomar decisões adequadas e necessárias para que os resultados desejados de uma determinada ação sejam efetivamente produzidos.

A aprendizagem do educando segue um eixo interno de construção, a avaliação oferece recursos para o andaime que dá suporte tanto ao ensino como à aprendizagem. Sem o andaime, não há como garantir a construção.

Todavia, para tanto, importa compreender e empreender a avaliação, verdadeiramente como avaliação, diferente dos exames escolares, que visam a aprovação ou a reprovação (historicamente, mais a reprovação que a aprovação).

A avaliação, tomada em geral, é uma investigação da qualidade da realidade, que subsidia decisões; avaliação, no caso do ensino-aprendizagem, é a investigação da qualidade dos resultados da aprendizagem, decorrentes do investimento do educador (gestor) para os educandos aprendam.

A configuração da qualidade da realidade possibilita que se tome a decisão mais adequada para que se consiga os resultados necessários e desejados.

Então, nasce a pergunta: como aprovar os estudantes?

A aprovação, no caso do estudante, decorre de uma aprendizagem que se manifesta satisfatória. Ora, se investimos o suficiente para que os nossos estudantes aprendam o necessário e eles efetivamente aprenderam o necessário devido termos investido neles, não há como não aprová-los, desde que, em decorrência de nossos investimentos, aprenderam o necessário. Nesse contexto, não há porque não serem aprovados. Se aprenderam o necessário, como não seriam aprovados?

Com o uso da avaliação, não se estará buscando notas, mas sim resultados necessários e satisfatórios dos estudantes em suas aprendizagens.

Nesse sentido, a avaliação é parceira do educador em sua atividade de ensinar, como os andaimes são parceiros de todo construtor em sua atividade de dar base, levantar e embelezar um edifício.

 

 

 


Colunista: Cipriano Luckesi

  • Cipriano Luckesi
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Cipriano Luckesi
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Nascido em Charqueada – SP, o Professor Cipriano Carlos Luckesi, Doutor em Educação, é um dos nomes de referência em avaliação da aprendizagem escolar, assunto no qual se especializou ao longo de quatro décadas. Foi professor da Universidade Federal da Bahia, de 1972-2002, atuando na área de Filosofia, regendo disciplinas na graduação, assim como na Pós-Graduação em Educação. Na Universidade Estadual de Feira de Santana, BA (1976 a 1994), atuou nas áreas de Metodologia do Trabalho Científico e Metodologia da Pesquisa. Atualmente, aposentado oficialmente da Universidade Federal da Bahia.

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