A aula é o momento mágico da aprendizagem. Representa, para qualquer escola, o ícone que identifica seu valor. Para os alunos  é o instante sublime das transformações, para o professor a expressão central de sua qualidade profissional. Escolas com aulas imperfeitas, alunos cujas aulas não os modifica, professores que não sabem fazer da aula o instante mágico da aprendizagem expressam a falência do ensino e destroem a justificativa para a existência das instituições.

Mas, a aula de ontem não mais pode se identificar a aula do agora, aulas de tempos de livros, cadernos e enciclopédias reclamam por imediata sepultura em tempos de e-books, tablets e internet. Ou os professores se conscientizam que sua aula necessita mudar, e muito, ou sua profissão se estiola e o clamor por máquinas de ensinar clamam pela falência dessa profissão.

As aulas dos tempos de agora mudam a configuração do professor, a natureza de seu trabalho, a essência de sua postura e a justificativa de sua permanência profissional. Não mais são suportáveis aulas expositivas, alunos ouvintes, professores discursivos, habilidades e competências relegadas e avaliações quantitativas.

Enfim, as aulas brasileiras em seu arcaísmo histórico precisam a se refazer inspiradas na maneira são as aulas nos Estados, Unidos, Canadá, países escandinavos ou outros que pela essência de suas aulas ocupam lugar de destaque nos rankings PISA que ao Brasil cabe apensa invejar. É essencial que mais que depressa desapareça das escolas do país, de todas as escolas, o professor expositor, o aluno expectador, a transmissão vazia de informações e o apelo à memorização pessoal em tempos de memórias coletivas.

E para que essa transformação aconteça, modelos não faltam, custos não os bloqueiam, paralisa-os somente a essencial “juventude” de professores que tendo a idade que tiveram sinta-se renovar na eleição, entre outros tantos, de um desses modelos. Porque adiar a substituição de retrógrada aula expositiva pela aula “Instrução aos Pares” (peer instruction), ou pelo dinamismo fluente da “Aula Invertida” (flipped classroom) proveniente do insuspeito MIT ou ainda ABP – Aprendizagem Baseada em Problemas – (problem based learning). São essas estratégias de aulas que vívidas e intensas transformam expectadores em protagonistas, exploram linguagens, ensinam habilidades, fazem eclodir momentos de inteligência materializados em competências.

Na Instrução aos pares se inverte o sentido tradicional da “tarefa de casa” que passa a ser exigida antes da aula em sala. Essa tarefa é essencial é um elenco de desafios, geralmente multidisciplinares, que depois de pesquisados e argumentos na lição individual, o aluno agora em classe é organizado em pares (geralmente um com maior com outro com menor dificuldade) para que discutam, debatem e busquem soluções. Após essa fase, abre-se debate com toda turma onde o professor desafia, sugere linguagens, propõem competências, exalta habilidades para que a aula se conclua com argumentações lógicas e lúcidas que assinalem a assimilação transformadora.

Na estratégia da Aula Invertida também a tarefa de casa precede a aula em sala e o aluno assiste a um breve vídeo com desafios, problemas, interrogações que podem aferir vendo-o uma ou muitas vezes. Após a tarefa, agora em classe, discutem ideias, pensamentos, soluções e argumentos que conduzidos pelo professor consolidam uma etapa do saber.

Na ABP o aluno deve primeiro individualmente e em sua casa buscar repostas aos problemas propostos, perceber no cotidiano que o envolvem outros múltiplos desafios que suscitam pesquisas e reflexões. Em aula e agora em grupos, elegem o que precisam saber e também onde encontrar repostas que assim consolidam suas aprendizagens, animam suas inteligências e os prepara para aprender a aprender. São modelos de aula que ao ensinar o aluno a aprender, ensina-os a conviver, fazer e, aos poucos, ser.

Com nomes brasileiros e adaptados a realidade do país, experimentamos por anos a fio essas maneiras de ministrar aulas. Não as anunciávamos como “importadas”, levávamos os alunos a pensarem em brasileiríssimas estratégias. O problema indisciplinar desaparecia, era varrido para longe o imobilismo do tédio, substituía-se o expectador pelo protagonista e como único e real problema que essa ousadia ocasionava era a inevitável comparação feita pelos alunos por um ensino que ansiavam e participavam por outro imobilizado pela rotina, desgasta do pelo tédio.

Se a aula brasileira não mudar que se tire dos nossos alunos a esperança de competir por empregos, salários e competitividade que seus colegas de outros países para o nosso migrem e com efetivas competências os conquistem.

 


Matéria por: Celso Antunes

  • Celso Antunes
    Celso Antunes
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Celso Antunes
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BACHARELADO E LICENCIATURA: GEOGRAFIA – ESPECIALISTA EM INTELIGÊNCIA E COGNIÇÃO – MESTRE EM CIÊNCIAS HUMANAS, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1968/1972
• MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PELOS DIREITO DA CRIANÇA BRINCAR (UNESCO)

• EMBAJADOR DE LA EDUCACION – ORGANIZACIÓN DE ESTADOS AMERICANOS

• MEMBRO FUNDADOR DA ENTIDADE “TODOS PELA EDUCAÇÃO”

• CONSULTOR EDUCACIONAL DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO (CANAL FUTURA)

• EXÉRCITO BRASILEIRO – COLABORADOR EMÉRITO
PRODUÇÃO INTELECTUAL:

• AUTOR DE MAIS DE 180 LIVROS DIDÁTICOS – ED. DO BRASIL, ED. SCIPIONE. ED AO LIVRO TÉCNICO E OUTRAS

• AUTOR DE CERCA DE 100 LIVROS SOBRE TEMAS DE EDUCAÇÃO – ED. VOZES. ED. PAPIRUS. EDITORA PAULUS, EDITORA LOYOLA, ED. ARTMED. ED. ROVELLE ED. CIRANDA CULTURAL E OUTRAS.

• OBRAS TRADUZIDAS: ARGENTINA, MÉXICO, PERU, COLÔMBIA, ESPANHA, PORTUGAL E OUTROS PAÍSES

PALESTRAS E CURSOS:

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS EM TODOS OS ESTADOS DO PAÍS, MAIS DE 500 MUNICÍPIOS.

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS NA ARGENTINA, URUGUAI, PERU, MÉXICO, PORTUGAL, ESPANHA E OUTROS PAÍSES.

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