Ter todas as crianças e adolescentes na escola é um grande passo (que está longe de se tornar realidade), e a família tem papel fundamental nesse processo, pois ao incorporar a Educação na sua rotina demonstra ao filho o quão importante é o papel da escola no seu desenvolvimento e o quanto a educação contribuirá para a sua evolução profissional.

Ocorre que somente estar nas dependências da escola não é o suficiente para que a aprendizagem aconteça. Para isso é necessário, acima de tudo, que o sistema educacional se modifique tornando-se mais atraente e motivador para o aluno e para o professor.

Sabemos também que o aprender não se limita ao espaço escolar estando ativo em todo lugar, em toda ação do indivíduo durante todo o tempo ao longo de toda a vida. Todos educam e são educados concomitantemente através do convívio familiar, social e profissional. Vontade e necessidade de aprender, no seu sentido amplo, são inerentes ao ser humano, e é uma questão até de sobrevivência propiciando a adaptação ao meio em que se vive. É por esta razão que a aprendizagem ocorre de forma contínua e permanente. Já afirmava Darwin, em seu estudo sobre “A Origem das Espécies”, de que não foram os mais fortes que sobreviveram e sim os que demonstraram maior perspicácia em se adaptar às mudanças.

Esta perspicácia destacada por Darwin significa, na minha interpretação, aprendizagem constante. É esta necessidade de se manter em constante estado de aprendizagem que trazemos ativa no nosso cotidiano.

Darwin também se interessou pela Emoção e foi pioneiro no estudo da sua importância no comportamento humano e animal relatando suas observações em relação às reações fisionômicas de seus filhos, de pessoas de diferentes culturas e dos animais no livro “A expressão das emoções no homem e nos animais”. Concluiu que a Emoção expressada, principalmente através das fisionomias, são inatas e fundamentais corroborando com a sobrevivência da espécie. Elas são responsáveis pela alteração do nosso comportamento com o objetivo de aumentar as chances de sucesso de sobrevivência.

Portanto, o desempenho que cada um obtém em suas ações, sejam elas simples ou complexas, está atrelado à capacidade de aprender e de inovar.

Uma pena que o verbo “inovar” não seja conjugado por uma grande parcela das escolas. Acredito que elas sentem dificuldades em se desvencilhar dos modelos arcaicos onde a oralidade é o único recurso usado em sala de aula, e o decorar, a única forma do aluno estudar. É por esta razão que muitos analistas definem a Educação contemporânea no nosso país como sendo a escola do século XIX, com professores do século XX dando aula para alunos do século XXI.

É preciso romper com o formato atual e nada produtivo (de acordo com os resultados obtidos pelos PISA, Prova Brasil, ENADE e outros) de promover a aprendizagem que resulta, dentre outros fatores, no grande índice de evasão escolar. A escola que se conserva engessada poderia ser definida como um local construído para, cotidianamente, agrupar alunos selecionados por idade, em salas pré-determinadas para ouvirem o professor de cada disciplina (uma pena usar a palavra disciplina que significa: submissão, obediência, para se referir às áreas da educação) transmitirem informações estabelecidas pelo currículo escolar, e que ao final de cada bimestre terão seu desempenho em reproduzir as informações que foram recebidas, avaliado com notas de 0 a 10 pelos “donos do saber”.

Essa descrição irônica tem um fundo de verdade, e isso é muito triste!

A escola precisa ser um local interessante aos olhos do aluno. Ela tem que despertar no aluno o interesse por assuntos atuais e presentes na sua realidade, estimular sua criatividade, seu interesse por Projetos, abrir possibilidades para debater ideias, estimular o prazer pelo questionar tornando o aprender uma ação cotidiana integrada a diferentes áreas significativas do conhecimento propiciando saberes e fazeres estimulando a autonomia e a liberdade para que o aluno procure suas próprias respostas construindo seu próprio conhecimento.

Portanto, amparada por tudo que foi exposto acima me sinto a vontade para afirmar que a Emoção é o combustível que abastece a aprendizagem.


Colunista: Cybele Meyer

  • Cybele Meyer
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Cybele Meyer
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Palestrante Educacional
Cybele Meyer está na área da Educação há mais de 30 anos. Atuou como professora, coordenadora e diretora na Educação Básica e Ensino Médio.
Ministrou aulas para turmas da Pedagogia e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Formadora de professores por mais de 5 anos pela Microsoft Educação e Instituto Paramitas.

Integrou o Programa UCA do Governo Federal e Ministério da Educação em parceria com a USP nos estados do AP, MS e SP.

Hoje ministra Palestras pelo Brasil com os temas:

* Valor de ser professor – 3 Passos para se sentir valorizado na sua profissão;

* Encantador de alunos – 5 Maneiras de agir diferente e fazer a diferença;

* Um por todos e todos por um – 5 Dicas para fortalecer a parceria Família+Escola+Aluno

* Inteligências na Prática Educativa – Mude o foco e acerte o alvo.
Autora de três livros: 2 destinados ao público infantil “Menina Flor e Pedolândia” e o outro aos profissionais da educação bem como pais e cuidadores intitulado Inteligências na Prática Educadora Autora de 2 e-books sendo que o primeiro tem perto de 350 mil downloads: O Diário de Juliana
Fez Direito como primeira graduação e após 10 anos, encantou-se pela Educação trocando o Fórum pela sala de aula. Graduada também em Artes Plásticas, e Pedagogia.

Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Docência do Ensino Superior. Especialista em Docência e Tutoria em Ead e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Editora do blog Educa Já! há 8 anos e conta com mais de 80 milhões de visitas.

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