Depois que fui selecionada para uma bolsa de estudos na Eastern Mediterrenean International School (em-is.org), em Israel, descobri uma nova e crescente tendência nos rumos da educação global. Trata-se de uma escola internacional, que conta no momento, com cerca de 40 nacionalidades representadas por estudantes pré universitários que estudam e moram juntos em uma comunidade durante dois anos. Lá eles participam do programa acadêmico International Baccalaureate (IB).

“…O grande desafio é gerar futuros cidadãos: líderes e profissionais que tenham iniciativa como impactadores sociais em escalas locais e globais…”

Existem grandes peculiaridades nesse tipo de instrução. A primeira é a não descriminação econômica, já que as escolas buscam fundos em governos e instituições de apoio à educação para oferecer oportunidades e bolsas deestudos à estudantes menos favorecidos economicamente. O segundo contraste deste programa em relação ao intercâmbio comum é a proposta que descentralizada do estudo como experiência individual, extremamanete enriquecedora academicamente. Em escolas como EMIS e UWC (United World Colleges), o indivíduo que participa da experiência educacional, deve comprometer-se com atividades sociais e o planejamento de projetos que causem impacto real na comunidade onde vive.

O grande desafio é gerar futuros cidadãos: líderes e profissionais que tenham iniciativa como impactadores sociais em escalas locais e globais. Apesar do programa acadêmico ser altamente rigoroso, não se espera formar alunos que apenas destacar-se-ão nos meios científicos, mas que também voltem às suas comunidades de origem com maturidade, experiência e motivação para serem socialmente construtivos e responsáveis.

Neste artigo, serão brevemente introduzidas as propostas deste tipo de modelo educacional e as barreiras e obstáculos sociais para que o mesmo se torne acessível e de fato, globalizado.

Uma educação acadêmica

O foco dos programas acadêmicos é gerar disciplina e independência estudantil. Do aluno, é esperado que produza trabalhos em nível universitário, e que também reflita sobre contrapontos éticos da ciência e impactos sociais das aplicações do conhecimento.

Debates, workshops e projetos interdisciplinares procuram debater às diferentes tramas sociais nos diferentes contextos do mundo globalizado. Aqui no EMIS, por exemplo, como está localizado em um país envolvido em conflitos históricos do Oriente Médio, proporciona debates, e workshops sobre o conflito Israel-Palestina duas vezes por semana. A escola, busca proporcionar também à compreenssão entre as duas partes do conflito, por abrigar tanto estudantes israelenses, como estudantes palestinos em memso número e sem discriminações.

O aprendizado multicultural e linguístico

O aluno que frequenta uma escola internacional, como as aqui citadas, tem contato constante com culturas diferentes e contrastantes. Essas diferenças eram antes obscurecidas pelo etnocentrismo cultural, que constrói noções de superioridade e/ou estranheza ao exterior, baseada nos valores da própria sociedade (Giddens, 1985)

O estudante deve dividir um espaço limitado com colegas de culturas totalmente diferentes com diferentes habitos e classes sociais. Isso desenvolve uma percepção mais sensível do outro nos indivíduos envolvidos, além de criar mais consciência sobre realidades e porblemas sociais internacionais.

A imersão em uma outra língua, já que as aulas e a convivência são dadas em inglês, proporciona ao aluno à oportunidade de desenvolver suas habilidades comunicativas, e também é motivado à aprender outros idiomas.

A realidade da educação

A educação internacional é uma experiência saúdavel e enriquecedora para inúmeros alunos, mas não é razoável ponderar que é uma realidade acessível. Gostaira de escrever esse artigo mencionando apenas às oportunidades, mas é impossível não se reduzir à superficialidade sem mencionar às barreiras. Quando se trata de um país como o Brasil, emergente diplomaticamente e economicamente, é importante favorecer o desenvolvimento de lideranças com experiências internacionais. No entanto, segundo dados da Pnad/2009, 8,3%  das crianças entre 4 e 17 anos, mesmo na escola, não sabem ler ou escrever, ademais cerca de 3,7 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos de idade estão fora da escola no Brasil. Mais de 1,5 milhão desses são adolescentes tem entre 15 e 17 anos, justamente na idade dos estudantes em programas mencionados nesse artigo.

O apoio e a fomentação da educação internacional, continuará sendo uma medida restrita às elites econômicas onde poucas exceções serão “peneiradas” enquanto o acesso à educação básica for tão limitado e ineficiente. O acesso à formação política e globalizada deve ser precedido pela educação alfabetizadora ainda na fase de socialização, dando condições às crianças de formarem suas primeiras bases em relação ao pensamento crítico.

Em uma realidade onde à falta de acesso à educação é resultado claro de desigualdades sociais, a desigualdade, por sua vez, aumenta e se incrementa à medida que as gerações não são sanadas com direito à educação e proteção do abuso, trabalho infantil e marginalidade.

As oportunidades e bolsas de estudos em cursos, eventos e debates internacionais em níveis intra e extra acadêmicos, são crescentes. Existem medidas governamentais no Brasil (Ciências Sem Fronteiras) e no exterior, para criar mais condições de integração científica e cultural entre o nosso país e o mundo, pois esse é o interesse de muitas instituições e alianças internacionais. No entanto, essas medidas acabam não sendo tão efetivas como poderiam, ou continuam à ser exclusivistas.

Pelas razões mencionadas, pode se traçar uma relação direta entre a falta de presença de estudantes e profissionais brasileiros no panorama internacional, e a falta de presença de crianças e adolescentes brasileiros na própria escola brasileira. Enquanto esta relação ditar à realidade da educação, o brasileiro terá sempre uma fatia limitada e elitizada no panorama internacional. Uma camada que continua à representar interesses individuais ou privados à sua classe social. O mesmo Estado que permite a exclusão do jovem da educação de qualidade, está se excluindo de uma representação internacional relevante e representativa da maior parte da população brasileira.

Ellen Cristina Masalskas aprendendo com a diversidade Aprendendo com a diversidade yasmim

Autora da Matéria | Colaboradora

Yasmim Geovanna Marcolino Franceschi Silva
Estudante Internacional
Yasmim Franceschi é adolescente e bolsistana Eastern Mediterrenean Internatonal School (em-is.org) em Tel Aviv, Israel onde estuda por dois anos o programa pré universitário International Baccalaureate (IB), no qual convive com estudantes de mais de 40 países em programa que visa promover a paz e a sustentabilidade por meio da educação. Também em Israel, participa de atividades sociais e voluntárias, ensinando inglês para crianças vivendo em um abrigo sobre custódia do governo. Graças à experiência fala inglês fluentemente e se comunica em francês e espanhol com segurança.
Estudou no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro onde começou a se interessar por sociologia e filosofia, e onde teve portas abertas para oportunidades como o Programa de Iniciação Científica da FIOCRUZ, no qual teve seu primeiro contato com a pesquisa científica e a atividade profissional.
Atualmente, a estudante se prepara para admissões em universidades de Medicina. Porém, pretende voltar ao Brasil ao fim do programa e encorajar estudantes de classes sociais menos favorecidas à buscar fontes de educação de qualidade, incluindo no exterior.

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