Não é necessário conceituar o amor e, de igual forma, é inútil buscar conceito para o perdão. Qualquer pessoa define esses sentimentos, ainda que os poetas, filósofos e romancistas o façam com belas palavras que emolduram nobres emoções e as pessoas comuns, definam o amor e o perdão com palavras singelas, termos baldios. Mas, se é desnecessário conceitos para amor e para o perdão a diferença entre eles aí estaciona. O amor é, indiscutivelmente, mais forte, mais nobre e muito mais essencial que o perdão.

Existem pessoas que passam pela vida sem nunca sentirem-se agraciadas pelo amor. Amam, é claro que amam, mas não despertam igual sentimento. Sentem-se tristes e é impossível que assim não se sintam. Mas, o que fazer? Receber amor é contingência que vem do outro e se este não nos outorga, nada se pode fazer senão o olhar entristecido de criança pobre diante de vitrine de brinquedos. Nesse triste olhar sempre cabe espaço para esperança de “um dia, quem sabe…” Não tenho pena dos que nunca receberam o amor que deram, posto que os desígnios da vida estejam além da compreensão humana, mas tenho por essas pessoas sentimento de profundo afeto e intensa admiração. São verdadeiros ídolos, ainda que ídolos tristes.

Existem pessoas que passam pela vida sem qualquer vontade de perdoar e seu caso é diferente dos que passam pela vida sem receber amor. Enquanto ser amado é ação involuntária que de outro depende, perdoar é ação pessoal, gesto intransferível, decisão que se assume ou se rejeita. Compreendo que perdoar não implica em aceitar e que, muitas vezes, até podemos perdoar a quem não desejamos livres da justiça, liberto da pena, responsáveis pelo preço do que a outros seus gestos marcaram. Tenho, sinceramente, muita pena das pessoas que não sabem perdoar.

São criaturas que passam pela vida remoendo ódios, restaurando lembranças, digerindo vômitos e não poucos exibem essa bandeira como glória, se exalta por esse sentimento de egoísmo extremo. Quem não sabe perdoar jamais conhece o carinho do recomeço, a alegria do reencontro. Tenho pena de pessoas que passam pela vida sem percebê-la breve, navegam por pensamentos de ódio sem descobri-los sórdidos. Os que sabem amar e amam são dignos da vida, ainda que triste se nunca amados. Os que são perdoados e jamais perdoam apenas existem, passam pela vida com amargura, sem aprender vivê-la.


Colunista: Celso Antunes

  • Celso Antunes
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Celso Antunes
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BACHARELADO E LICENCIATURA: GEOGRAFIA – ESPECIALISTA EM INTELIGÊNCIA E COGNIÇÃO – MESTRE EM CIÊNCIAS HUMANAS, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1968/1972
• MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PELOS DIREITO DA CRIANÇA BRINCAR (UNESCO)

• EMBAJADOR DE LA EDUCACION – ORGANIZACIÓN DE ESTADOS AMERICANOS

• MEMBRO FUNDADOR DA ENTIDADE “TODOS PELA EDUCAÇÃO”

• CONSULTOR EDUCACIONAL DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO (CANAL FUTURA)

• EXÉRCITO BRASILEIRO – COLABORADOR EMÉRITO
PRODUÇÃO INTELECTUAL:

• AUTOR DE MAIS DE 180 LIVROS DIDÁTICOS – ED. DO BRASIL, ED. SCIPIONE. ED AO LIVRO TÉCNICO E OUTRAS

• AUTOR DE CERCA DE 100 LIVROS SOBRE TEMAS DE EDUCAÇÃO – ED. VOZES. ED. PAPIRUS. EDITORA PAULUS, EDITORA LOYOLA, ED. ARTMED. ED. ROVELLE ED. CIRANDA CULTURAL E OUTRAS.

• OBRAS TRADUZIDAS: ARGENTINA, MÉXICO, PERU, COLÔMBIA, ESPANHA, PORTUGAL E OUTROS PAÍSES

PALESTRAS E CURSOS:

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS EM TODOS OS ESTADOS DO PAÍS, MAIS DE 500 MUNICÍPIOS.

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS NA ARGENTINA, URUGUAI, PERU, MÉXICO, PORTUGAL, ESPANHA E OUTROS PAÍSES.

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