Tanto se fala a respeito das dificuldades de se conviver nos dias atuais, destacando a idéia de que no passado é que era bom, que por vezes acabamos colocando toda a culpa de nossa dificuldade de comunicação e vivência, nas costas do tempo.

Porém, em meu ponto de vista, a maior parte dos motivos que nos tem levado a tanta dificuldade, ou resistência nas relações, é simplesmente medo.

Objetivamente, define-se medo como uma “sensação de insegurança diante do desconhecido”, o que aparentemente explicaria esse problema. Como cada pessoa se renova a cada nova manhã, acabo diariamente cercado de “ilustres desconhecidos”, mesmo quando esses fazem parte daqueles com quem me relaciono frequentemente. Isso para não falar de certas pessoas que, por razões concretas ou estéticas, automaticamente fazem parte do rol daqueles que fui educado a temer e rejeitar.

Diante desse conjunto de incertezas, e com o intuito de nos prevenir de futuros riscos de convivência, tendemos a criar modelos ideais de amigos, colegas ou até mesmo amores.

Estipulado o molde de segurança, tendemos a rejeitar qualquer pessoa que não venha a se adaptar cem por cento a esse padrão, já que para a maior parte das pessoas, margem de erro é algo que existe para ser evitada.

Sei que a idéia de resguardo diante das instabilidades da vida, é vista como óbvia, principalmente no momento atual, em que recebemos toda uma avalanche de notícias assustadoras a todo o momento, porém não se pode esquecer que é apenas quando experimentamos a diversidade humana, que podemos experimentar a diversidade de habilidades que possuímos.

Temos tanto receio daquilo que inesperadamente pode vir de alguém, que, mesmo na presença daqueles que mais acreditamos conhecer e amar, ficamos na espreita e extremamente desejosos que a pessoa venha a apresentar as frases e idéias que desejamos ouvir. O estranho é que mesmo quando já conhecemos a forma de interpretação que certas pessoas apresentam diante do mundo, continuamos a nos irritar quando elas repetem esses conceitos que não admitimos.

No fundo, chegamos a condicionar nosso amor a um grupo de atitude que “exigimos” que o outro apresente.

Só aceitamos amar aquilo que previamente decidimos, e passamos a esperar das outras pessoas. É como se eu, em uma declaração de amor, disse-se que “amo tudo aquilo que espero de você”, e não aquilo que você me revela.

Não parece uma loucura, quando se ouve da boca de um jovem, ou nem tanto assim, que, apesar de estar apaixonado prefere ficar só, pois a amada tem muitas manias, ou em outras palavras não é exatamente aquilo que ele sonhou para si.

É muita covardia exigir que as pessoas que nos rodeiam existam apenas para nos completar.

Amor é algo que se constrói e construções, por mais bem projetadas e presas a um cronograma, sempre experimentam adversidades, opiniões e interferências alheias. Só depois de superadas as dificuldades e intempéries do tempo, é que podemos observar a grandeza da obra, que se iniciou no alicerce.

O tempo existe para que aprendamos a nos administrar dentro dele.

Á exemplo de projetos arquitetônicos, amizades e amores sempre se iniciam em alicerces, enfrentam dias inesperados, e vão reorganizando seus próprios planos.

Enquanto alguns persistem em criar formas estanques para acomodar suas relações, os mais serenos continuam a se arriscar na feliz possibilidade de novos e sempre estimulantes relacionamentos.

A que grupo você pertence?

A que grupo você pretende pertencer?

 

 


Colunista: Guilherme Davoli

  • Guilherme Davoli
    Guilherme Davoli
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Guilherme Davoli
Colunista

Psicólogo atuante como psicoterapeuta, professor de psicologia, consultor empresarial e educacional. Autor dos livros:
“Admirando a tempestade e brincando com o vento”
“Vítimas e aprendizes da própria história”
“Somos mais que um simples espetáculo” “Colecionadores de histórias”
Articulista das revistas: “Evidência”, “Profissão Mestre”, “Conectado”, “Ultimato online”, SME-Sistema Mackenzie de Ensino” e do jornal “The Brasilians” (New York). Palestras, cursos e oficinas em empresas, órgãos públicos e instituições de ensino, desenvolvendo temas pertinentes à educação, relacionamento interpessoal e qualidade de vida.

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