A partir do ano que vem os estudantes de algumas escolas públicas do Estado de São Paulo poderão escolher as matérias que irão estudar no próximo ano. Segundo os portais Estadão e R7, a ideia é que a reforma aconteça para os 2os e 3os anos do Ensino Médio. O primeiro ano continuaria com o currículo original, portanto sem adição ou remoção de disciplinas. Os detalhes quanto a quais disciplinas seriam incluídas, ou quais poderiam ser retiradas, ainda não foram definidos. O Conselho Estadual de Educação (CEE) discutirá a proposta no segundo semestre deste ano, mas está prevista a inclusão de algumas matérias optativas, como por exemplo, Teatro.

“… Ter mais opções auxilia no desenvolvimento de habilidades individuais de cada estudante e valoriza sua criatividade, personalidade e participação, algo bem diferente do formato atual: massificado, pouco estimulante e de baixa eficácia (os resultados de nosso país no PISA comprovam isso)….”

O número de escolas envolvidas neste projeto ainda não foi definida, mas elas participarão por adesão, testando o novo modelo antes da implantação em toda a rede estadual. Estratégia semelhante foi utilizada em 2011 ao criar-se a Escola de Tempo Integral, que abrange 257 unidades em todo o estado.

Segundo o Secretário de Educação do Estado de São Paulo, Herman Voorwald, essa seria uma aposta no protagonismo do aluno, o que favoreceria a tomada de decisões e ampliaria a sua capacidade de escolha.

Este modelo de disciplinas optativas é comum em alguns países, como Estados Unidos e Canadá, e funciona bem, pois faz com que o aluno tenha maior interesse pelas disciplinas, uma vez que foi ele quem as escolheu. Ter mais opções auxilia no desenvolvimento de habilidades individuais de cada estudante e valoriza sua criatividade, personalidade e participação, algo bem diferente do formato atual: massificado, pouco estimulante e de baixa eficácia (os resultados de nosso país no PISA comprovam isso).

Em teoria, o modelo facilitaria o trabalho do professor e aumentaria o rendimento acadêmico do aluno, pois há um maior envolvimento no aprendizado e na probabilidade de proporcionar um ganho real a todos.

Fazendo do jeito certo, acredito que a iniciativa é válida, pois não é de hoje que sabemos que o currículo nacional é inchado, com conteúdos por vezes desestimulantes e não aplicáveis ao que o jovem realmente necessita para seu futuro. Atualmente, trava-se uma guerra entre professores, escolas e alunos quanto a isso. Logo, existe a necessidade de mudança de paradigmas, tornando o ensino flexível, atrativo e prazeroso.

Porém, não gostaria de comemorar muito antes da hora. Sabemos que as coisas nem sempre são bem planejadas em nosso país, com o governo assumindo verdades não aplicáveis à nossa realidade e fazendo a coisa acontecer forçosamente, sem a devida estruturação e capacitação. Isso pode fazer com que ideias promissoras e interessantes como esta, resultem em um frustrante fracasso.

Não podemos esquecer de que para que o Ensino Médio tenha bons frutos, é preciso cuidar também do Ensino Fundamental. Sem isso, é como se cuidássemos das folhas de uma árvore e esquecêssemos de adubá-la. Não é possível repetir o modelo de boas universidades com um Ensino Médio deficitário. É preciso investimento na base, para que os alunos possam fazer escolhas ainda melhores quando alcançarem a última etapa da educação básica.

Tendo-se muito cuidado e carinho no planejamento e execução – valendo-se inclusive de um plano de avaliação de médio e longo prazo – o resultado tem tudo para ser o mais animador possível. Vamos aguardar (ansiosamente) por maiores detalhes sobre esta nova proposta e torcer para que seja, realmente, uma excelente notícia.

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Matéria por:


  • André Moreira
    André Moreira
    Sócio Fundador do Portal Educa2
André Moreira
Sócio Fundador do Portal Educa2

É Bacharel e Licenciado em Química e Pedagogia, habilitado em Física, e possui MBA em Gestão de Instituições de Ensino. Atuou por 15 anos como professor das disciplinas de Química, Física e Matemática, além de ter sido Orientador Educacional, Coordenador e Diretor Pedagógico em diversas instituições de ensino básico, pré-vestibular e superior. Também foi facilitador do programa “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” da Franklin Covey, treinando centenas de adolescentes e adultos quanto a proatividade, planejamento e trabalho em equipe.

Atualmente é Sócio/Diretor da Moose Educacional, empresa prestadora de serviços de soluções administrativo-pedagógicas e que atende a escolas em todo o Brasil. Atua também como Diretor Comercial do International Education Bureau. É curador das revistas eletrônicas “Carro & Estilo”, sobre automóveis, e “EducaMoos!”, que aborda a inovação, o empreendedorismo e a tecnologia aplicada a educação, tendo para ambas, perto de 20 mil seguidores e mais de 2,5 milhões de visualizações.

Adora tecnologia aliada a educação, pois acredita que esta ideia torna o aprendizado interessante, prático e eficaz. Pensando neste modelo diferenciado e atual, decidiu juntar-se a Ferreira Junior para oferecer ao nosso público um portal educacional jovem, que descomplique a educação e compartilhe o aprendizado.

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