Uma metáfora contém dentro de si preciosidades que necessitam ser explicitadas e exploradas para que bem a compreendamos e possamos aprender a nos servirmos de suas riquezas. As metáforas são grávidas de sabedorias.

Retomando a metáfora do “andaime”, tomamos consciência de que a obra construída é o edifício pronto, esbelto, belo, charmoso, atraente. O andaime deu suporte aos trabalhadores para que o construíssem. Terminada a construção, o andaime recolhe-se ao seu devido lugar e permite que a obra se expresse esplendorosa. O edifício é o edifício, a obra construída; o andaime foi o suporte para sua construção.

Para aprofundar a compreensão da metáfora do andaime, importa saber que ele foi feito de múltiplos recursos, tais como: estacas, escoras, travas, tábuas, parafusos, pregos, conexões…; recursos que o tornaram forte e poderoso, garantindo a possibilidade de que cada centímetro da construção fosse lentamente subindo, subindo… se embelezando.

Usando a metáfora do andaime, em texto anterior, sinalizei que a avaliação como “um” dos recursos do andaime da construção da aprendizagem, utilizado pelo educador e pelo educando para “subir o edifício”… da aprendizagem.

Desejo acrescentar que, além da avaliação, o andaime necessário para “construir o edifício da aprendizagem” inclui outros recursos, tais como: instituição escolar e seu estafe, currículo, planejamento do ensino, material didático, atividades didáticas, convivência na sala de aula… e… o educador, como o gestor da sala de aula, isto e, que opera com todos esses recursos a fim de que o educando efetivamente aprenda o necessário (= aprendizagem construída; o edifício interno do educando).

Importa tomar consciência de que os recursos do andaime, e o próprio andaime montado, para que servirão, caso não exista aquele que sabe utilizar o andaime para gerir a construção do edifício até que chegue ao seu topo.

Então, o andaime poderá estar disponível, mas, sem o seu gestor, não servirá para nada. Será um andaime inerte. Ele só ganha vida e força quando utilizado para que se atinja o resultado necessário, planejado e desejado. Quando o gestor da atividade sabe utilizá-lo da melhor maneira possível, tendo certeza de que atingirá o objetivo previsto, necessário, desejado.

Quem dará continência ao educando, utilizando todos os recursos do andaime, para que ele aprenda — ou seja, que construa internamente o edifício da sua aprendizagem — é o educador, o gestor da sala de aula. Sem um regente, a orquestra não funciona.

Os resultados – as obras construídas – dependerão do investimento do educador, de sua liderança, como o adulto da relação pedagógica, ou seja, aquele que desenvolveu habilidades necessárias para manejar os recursos disponíveis no “andaime” para que a obra se faça.

Como adultos da relação pedagógica, (01) acolhemos os educandos com o quais trabalharemos — eles chegam como ele são, com os recursos que a natureza e sua educação anterior lhes deram; (02), então, acolhidos, os nutrimos com o saber, com os conteúdos informacionais, com os procedimentos e recursos metodológicos; (03) pacientemente, sem lamúrias, irritações ou condutas semelhantes, garantimos-lhes tempo para que compreendam, exercitem e aprendam aquilo que ensinamos; (04) pela avaliação, confirmamos se aprenderam (o não) o necessário. Em caso positivo, ótimo; em caso negativo, a avaliação, como recurso do nosso andaime, estará nos revelando que, se desejamos o sucesso do nosso educando em sua aprendizagem (“seu edifício”, pronto, belo e esplendoroso), voltamos a investir mais (um pouco mais de massa, um pouco mais de tinta, um pouco mais de polimento…). O andaime dá suporte, mas não constrói a obra, quem faz isso é o gestor, que, no caso da escola, é o educador, ou seja, diretor de escola, coordenador, supervisor, professor…, todos juntos garantem a harmonia da orquestra… do ensino.

Então, o andaime será pleno, sustentando e garantido que educadores realizem sua ação construtiva.


Colunista: Cipriano Luckesi

  • Cipriano Luckesi
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Cipriano Luckesi
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Nascido em Charqueada – SP, o Professor Cipriano Carlos Luckesi, Doutor em Educação, é um dos nomes de referência em avaliação da aprendizagem escolar, assunto no qual se especializou ao longo de quatro décadas. Foi professor da Universidade Federal da Bahia, de 1972-2002, atuando na área de Filosofia, regendo disciplinas na graduação, assim como na Pós-Graduação em Educação. Na Universidade Estadual de Feira de Santana, BA (1976 a 1994), atuou nas áreas de Metodologia do Trabalho Científico e Metodologia da Pesquisa. Atualmente, aposentado oficialmente da Universidade Federal da Bahia.

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