Entre as dores e alguns desencantos vamos aprendendo a trabalhar e conviver com as perdas de nossa vida. Querendo ou não, perdemos, para sempre ou temporariamente, pessoas, dinheiro, status e objetos, o que indiretamente vai nos proporcionando a própria perda da esperança.

Se infelizmente você alguma vez experimentou a sensação de ser assaltado ou roubado deve lembrar-se do quanto que um estranho sentimento de impotência acaba desabando sobre nossas costas. É como se a qualquer momento corrêssemos o risco de ser invadidos, vendo nossos planos e sonhos sequestrados por bandidos de toda laia.

A cada uma dessas perdas se estabelece um medo que em geral tende a se tornar maior que o próprio fato causador. Cada fracasso ocorrido, nessa nossa relação com o mundo, aumenta a sensação de fragilidade, distorcendo a escala de valores que utilizamos para olhar e avaliar a vida, com todos seus detalhes.

Sem perceber passamos a desenvolver o estranho hábito de tecer uma teia de proteção que nos mantenha em uma sensação de segurança, com relação aos próximos adventos inesperados de um cotidiano que aparentemente nada tem de tranquilo.

Mesmo dentro de nossa casa e trabalho, quase que sem notar, vamos sendo levados a temer os passos de um inimigo que, na maioria das vezes, foi sendo instalado em nossa personalidade, como um vírus de computador, a ponto de muita gente só nos conhecer por meio desses receios.

Diante das incertezas de cada amanhecer, gostaríamos de nos portar como cavaleiros audazes (em um misto do antigo mágico “Mandraque” e o cavaleiro “Zorro”), conseguindo enfrentar todos os tipos de fantasmas e problemas que nos assombram.

Como canta Nando Reis, em um de seus maiores sucessos:

“… o dia que roubaram teu carro, deixou uma lembrança:

Que a vida é sempre coisa muito frágil

Uma bobagem uma irrelevância”.

Pensando nesse fato da vida ser uma irrelevância, acredito que minimizaremos em muito nossas angústias caso passemos a dar menor valor para aquelas coisas que julgamos ser de nossa propriedade, porém sabendo que apenas estão confiadas a nós por um tempo determinado.

Já que realmente nossa insegurança cresce em proporções geométricas, a cada nova invasão sofrida, a única forma de reversão desse quadro está na busca, dentro de nós mesmos, da energia e disponibilidade de enfrentamento do mundo, inerente à criança que reside e resiste dentro de cada pessoa.

Não sei em que momento a magia do olhar infantil foi ofuscada pelos receios e instituições adultas, só sei que está passando da hora de revermos essa situação, e o correto é sempre começando em nós.

Que tal permitir, dentro de você, que refloresça a corajosa e pura criança que, depois de aprisionada no adulto exageradamente cuidadoso, anda insegura, temerosa e até mesmo descrente de seus merecimentos mais comuns?


Matéria por: Guilherme Davoli

  • Guilherme Davoli
    Guilherme Davoli
    Colunista
Guilherme Davoli
Colunista

Psicólogo atuante como psicoterapeuta, professor de psicologia, consultor empresarial e educacional. Autor dos livros:
“Admirando a tempestade e brincando com o vento”
“Vítimas e aprendizes da própria história”
“Somos mais que um simples espetáculo” “Colecionadores de histórias”
Articulista das revistas: “Evidência”, “Profissão Mestre”, “Conectado”, “Ultimato online”, SME-Sistema Mackenzie de Ensino” e do jornal “The Brasilians” (New York). Palestras, cursos e oficinas em empresas, órgãos públicos e instituições de ensino, desenvolvendo temas pertinentes à educação, relacionamento interpessoal e qualidade de vida.

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